"O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas,
mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam"

Guimarães Rosa

10 de jul de 2011

O IDOSO E O SENTIMENTO DE ASILAMENTO

Eliane Pastor de Lima; Gislaine Redivo; Joseane de Andrade; Renata Rodrigues da Silva*
A velhice é o período que tem início na década dos cinquenta anos, após o indivíduo ter vivenciado realizações pessoais, chamadas de maturidade. Em geral somente uma pessoa com mais de setenta anos possui características que podem defini-la como um velho, tais como: o aspecto apergaminhado da pele, a atrofia muscular difusa, a atrofia geral dos órgãos e sentidos, fragilidade óssea, alterações na memória, entre outras (D’ANDREA, 2006).
Envelhecer pressupõe alterações físicas e psicológicas. Ultimamente com os avanços farmacológicos, a melhor qualidade de vida e a maior preocupação com a prevenção de doenças, o envelhecimento está ocorrendo em idade cada vez mais avançada. Mas com o passar dos anos o desgaste é inevitável, sendo essa uma fase em que o ser humano fica mais suscetível a doenças, isto é, adoecem mais e demoram mais tempo para se recuperar.
Embora a velhice venha sendo objeto de estudos e preocupações de vários campos de estudos, este período do desenvolvimento da personalidade está longe de ser compreendido totalmente. Atualmente existe uma tendência em considerar que uma pessoa com sessenta anos já é um incomodo para os mais jovens e se a posição deste idoso for de submissão ou dependência, ela é tratada como se não servisse para mais nada.
O processo de asilamento leva a um distanciamento progressivo entre o idoso e seus familiares, chega às vezes ao abandono. Ao ver-se sozinho no asilo, o idoso queixa-se de solidão, onde além de se recusarem a conversar com seus colegas de asilo, solicitam exclusivamente a atenção dos profissionais ou funcionários da instituição. Contudo, novos vínculos afetivos se formam com o decorrer do tempo de asilamento, passando haver entre eles um sentimento de amizade, solidariedade mútua, compartilhar dores, ansiedades, preocupações e perdas, enfim, sentimentos que agora fazem parte da sua “vida asilar”.
Inicialmente a família visita-o em media três vezes por semana, esse número de visitas vai diminuindo com o tempo, sendo facilmente encontrados casos em que o visitam até duas vezes ao ano. Zimerman (2005) posiciona-se contra as instituições asilares. Segunda a autora servem como “depósitos de idosos”, mas as considera como um mal necessário, usado como resposta às necessidades do mundo atual, além do que se não existissem, idosos sem família não teriam aonde ir.
A autora também considera que a massificação é um tipo de violência contra o velho, pois é o resultado de idéias pré-concebidas e estigmatizante acerca dele, que não leva em consideração a individualidade de cada um, caracterizando todos os velhos como chatos, por exemplo. O que leva a outro tipo de violência contra os idosos, que é não escutá-los, decidindo tudo por eles, desde o tratamento para a saúde até mesmo a roupa que ele vai usar e a aonde vai, sem ao menos perguntar o que ele acha. Essa é mais uma situação que passa despercebida, mas que mexe profundamente com a dignidade do velho.
            Para se inferir aspectos sobre a vida do idoso antes e após o processo de asilamento, realizaram-se entrevistas com três idosos com idades entre 60 e 70 anos, moradores de uma instituição asilar na cidade de Maringá- PR.
Através das entrevistas pode-se perceber que o idoso asilado sofre e desenvolve sentimentos, sejam em relação à vida anterior ao asilamento ou não. Estes idosos queixam-se dos colegas, da falta de atividades relacionadas ao lazer como, bailes e passeios, por exemplo, reclamam da falta de visita dos filhos e dos entes queridos, deixando assim, transparecer uma aparente tristeza e vontade de sair da instituição. O preconceito se caracteriza pela ausência de reflexão crítica acerca de um determinado objeto e suas origens, é decorrente do processo de socialização, não sendo algo inato ao indivíduo, se manifestando nele de forma singular e individual. (CROCHÍK, 2004)
            Dessa forma, o idoso, principalmente aquele asilado, é vítima de preconceito, pois eles próprios se queixam da falta de visitas dos familiares ou de entes queridos. Sentem-se excluídos da sociedade assim como sujeitos estigmatizados, pois tal como estigma é definido na relação social e representa a situação da qual o individuo está inabilitado para sua plena aceitação no meio social sendo usado para evidenciar uma característica que possua se encaixando nele algumas categorias de pessoas tal como, por exemplo, os idosos.
            Acreditam que já não fazem mais parte da sociedade estando marcados pela sua condição física, social e talvez mental, ou seja, se limitando a grupos pessoas com as mesmas características. Acreditam que na medida em que foram envelhecendo foram sendo esquecidos e sendo vistos pela sociedade de forma peculiar e criam mecanismos de defesa apresentam em determinados momentos fantasias, negação da realidade, rejeição numa tentativa de fuga da realidade de isolamento a qual se encontram.

*Eliane Pastor de Lima; Gislaine Redivo; Joseane de Andrade e Renata Rodrigues da Silva são acadêmicas do 5º ano de Psicologia no Cesumar.

Para saber mais:
CROCHÍK, L. Preconceito, indivíduo e sociedade. São Paulo: Casa do psicólogo, 2004.
D’andrea, F. F. Desenvolvimento da personalidade. 17ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999.
GOFFMAN, E. Estigma: notas sobre a manipulação de identidade deteriorada. São Paulo: LTC, 1988.
NÉRI, A.L. Psicologia do envelhecimento. Campinas: Papirus, 1995
SPINK (org). O conhecimento no cotidiano: as representações sociais na perspectiva da psicologia social. São Paulo: Brasiliense, 1995.
ZIMERMAN, G. I. Velhice: aspectos biopsicossociais. Porto alegre: Artmed, 2005.

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