"O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas,
mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam"

Guimarães Rosa

14 de mai de 2011

A PERSONALIDADE FÁLICA EM MULHERES: REFLEXÕES SOBRE A VISÃO DE MELANIE KLEIN


Maria Carolina Bittencourt Socreppa*
Rute Grossi Milani**
Rosana Ravelli Parré***
Algumas características masculinas podem ser marcantes na personalidade da mulher, como o autoritarismo e o desempenho profissional no mínimo equivalente a média dos homens, observadas em mulheres que ocupam cargos de destaque em empresas e na política. Tais características podem configurar uma estrutura de personalidade fálica. O presente estudo teve como objetivo verificar de que forma o desenvolvimento primitivo da personalidade influencia na formação de uma estrutura de personalidade fálica na mulher, para isso procedeu-se ao estudo dos textos de Melanie Klein e Hannah Simon.
As idéias da inglesa Melanie Klein, discípula de Freud, apontam que a menina em seu desenvolvimento sexual, obtém parcialmente através da amamentação da figura materna, conteúdos bons e maus. No entanto, tais conteúdos podem provocar excessivas frustrações na criança, o que faz a mesma se voltar parcialmente para o corpo de sua mãe, isto é, a criança desloca-se do seio para o corpo, onde fantasia que existem diversos pênis do pai e os bebês que essa mãe pode gerar desse genitor.
Refletindo sobre a psicodinâmica da mulher fálica, entende-se que a menina ao se deparar com a fantasia de que a mãe possui em seu interior conteúdos ricos, como o pênis paterno, isso lhe desperta intensos sentimentos de raiva e inveja, o que lhe provoca culpa por estar destruindo o rico interior materno. E, como forma de diminuir essa angústia de destruição da mãe, a menina projeta na mesma esses sentimentos, passando a ser o alvo dos ataques maternos.
Diante disso, as tendências fálicas surgem na menina devido à intensa inveja despertada na relação materna, o que a leva à fantasia inconsciente de que seu interior ficou vazio e estragado, assim como sua feminilidade, com isto procura uma maneira de se livrar dessa angústia, através da fantasia onipotente de ser possuidora do pênis. Esta fantasia faz com que desista de se identificar com a mãe para ter o pai como padrão de identidade, e tomar para si os seus atributos masculinos.
Na puberdade, a menina deixa de se identificar com esse pai possuidor de um pênis, para voltar sua atenção às questões biológicas do seu corpo, que despertam a sua sexualidade, logo, se identifica com a figura feminina e acaba por nutrir a sua feminilidade. Entretanto, quando a menina com tendências fálicas não tolera as mudanças da sua puberdade e não possui uma figura feminina que lhe possibilite a identificação, a mesma pode reativar o vazio experimentado anteriormente, levando-a a procurar no pênis formas que lhe proporcionem esse falo poderoso, como na profissão e nos tipos de relações e atitudes estabelecidas em sua vida.
Por fim, vemos com base nas idéias de Melanie Klein, que as mulheres possuidoras de traços de personalidade fálica procuram maneiras de preencher o vazio de sua feminilidade, através de trabalhos e atitudes predominantemente masculinas.

*Maria Carolina Bittencourt Socreppa psicológa e ex-aluna do Cesumar
**Rute Grossi Milani é professora do curso de Psicologia do Cesumar
***Rosana Ravelli Parré é professora do curso de Psicologia do Cesumar.

Para saber mais:
KLEIN, Melanie; HEIMANN, Paula. ISAACS, Susan; RIVIERE, Joan. Os processos da psicanálise. Rio de Janeiro: Ed Zahar, 1952.
MURARO, Rose Marie. A mulher no terceiro milênio. São Paulo: Rosa dos tempos, 2000.
SEGAL, Hanna. Introdução à obra de Melanie Klein. São Paulo: Imago, 1975.

Um comentário:

  1. Parabéns Maria Carolina mais uma vez, eu assisti sua apresentação, já a parabenizei, mas mais uma vez reforço, ficou excelente essa pesquisa, parabéns professora Rute e Rosana também.

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