"O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas,
mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam"

Guimarães Rosa

14 de mar. de 2013

IDENTIFICANDO O TRANSTORNO DE PÂNICO


Ana Maria de Souza Tardelli*

Existem situações que nos provocam muita ansiedade e é muito comum nos considerarmos mais ou menos ansiosos. Quem nunca sonhou com exames escolares e entrevistas de emprego? E quando passamos por algum tipo de situação constrangedora em lugar público? Mas cada um reage de uma maneira frente a situações como essas e a forma como lidamos com o estado de ansiedade é que pode ou não resultar num distúrbio.

"Devetashka caverna" S. Silva
A ansiedade pode se manifestar de formas diferentes. Um dos transtornos mais falados atualmente é o pânico, que pode ser caracterizado como um episódio de ansiedade repentino e de breve duração, apresentando um pico bem definido e podendo durar em torno de uma hora. Devemos entender inicialmente que uma reação de pânico é normal quando existe uma situação que favoreça o seu surgimento, como por exemplo, estar em um local fechado onde começa um incêndio, estar afogando-se ou em qualquer situação com eminente perigo de morte. O pânico passa a ser identificado como patológico quando esta mesma reação acontece sem motivo aparente, de forma espontânea.

É pânico ou ansiedade?

Como é possível sabermos se um momento de ansiedade que nos ocorreu trata-se de um ataque de pânico? Tudo parece estar bem, você se encontra despreocupado, tranqüilo... De repente algo que você não consegue definir, lhe trás uma sensação um tanto ameaçadora, acompanha falta de ar, tontura, fazendo com que se sinta extremamente mal e como se estivesse correndo risco de morte, o que nunca lhe ocorreu antes. As mãos ficam geladas e úmidas, o coração começa a bater de modo acelerado, a respiração fica difícil, rápida e aparentemente insuficiente, dando uma sensação de sufocação. Tudo isto acontece rapidamente, em alguns minutos. Após sentir uma enorme fraqueza e cansaço, chorar, descansar ou dormir um pouco, você volta ao normal, como se nada disso tivesse acontecido.

"Angústia" Siqueiros
Esta é uma experiência terrível para qualquer pessoa, deixando qualquer um confuso e desesperado, sem compreender o que lhe está ocorrendo. O medo de acontecer novamente gera muita angústia e é comum passar a evitar o lugar em que este ataque aconteceu, podendo ser em casa, na rua, dentro de um ônibus, ou em algum outro lugar público. Estas experiências podem vir a ocorrer mais vezes, o que leva muitas pessoas, na tentativa de entender o que está acontecendo, procurar a ajuda de um especialista ou até mesmo um pronto socorro, esperando que o médico lhe informe algum problema no coração, se está tendo um infarto, ou algo parecido... Uma vez descartado o distúrbio orgânico pelo médico e ficar caracterizado como transtorno de pânico, é essencial que se procure auxílios de profissionais da área de psicologia e psiquiatria.

A terapia é fundamental

Esta é considerada uma doença contemporânea, ligada ao quadro emocional, ocasionada geralmente por estresse cotidiano. É uma patologia real e que deve ser tratada com muita seriedade, pois apresenta uma sintomatologia muito intensa e um tanto desagradável. Através da psicoterapia é possível que o paciente compreenda o que lhe está ocorrendo, que situações podem estar gerando esta enorme ansiedade, ajudando-o a superar seus medos.

Quando a psicoterapia é aplicada corretamente e associada com o uso da medicação adequada, consegue-se a melhora acentuada com ausência total dos sintomas na maioria das pessoas, num prazo relativamente rápido.

*Ana Maria de Souza Tardelli (CRP 08/10808) é Psicóloga. Especialista em Clínica de Orientação Psicanalítica e em Gestão Estratégica de Empresas.

29 de jan. de 2013

A CLÍNICA DOS LIMITES


Rogério Thaddeu *
Janet Bongiovanni
A fragilidade das fronteiras que demarcam o psiquismo tem merecido a atenção de alguns psicanalistas nos últimos anos, sobretudo, diante dos desafios colocados à clínica na contemporaneidade, exigindo uma clínica que, no mínimo, repense os alcances e limites de sua prática. Conforme ressalta CHAGNON (2009) A noção de "estado-limite" ou, ainda, de caso-limite (tradução de transtorno borderline) revela, assim, inúmeras preocupações dos psicanalistas. Estes descobriram que pacientes considerados como neuróticos desenvolveram, no percurso da terapia psicanalítica, modos de funcionamento psicótico, regressivos e temporários ou mais duradouros. Partindo desta observação, surgiu a preocupação em resgatar esses pacientes e em encontrar recursos técnicos para tornar o trabalho psicanalítico possível. Houve o surgimento de uma eflorescência de trabalhos, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, tanto na Europa como na América do Norte, a tal ponto que podemos considerar hoje os estados-limite como um novo paradigma: eles são para a psicanálise atual aquilo que a histeria era outrora.
Este artigo visa apresentar a temática dos limites a partir de algumas literaturas francesas, com o objetivo de repensar a clínica psicanalítica na atualidade. Para tanto, nos apoiaremos no percurso desenvolvido tanto em nossa prática clínica como psicoterapeuta quanto no contexto da saúde mental pública, já há algum tempo, sobretudo, diante de pacientes que consideramos “graves”, que no nosso entender, não “respondem” à técnica psicanalítica convencional, exigindo um trabalho árduo e uma análise contínua sobre a transferência e contratransferência. Neste artigo, optamos pela terminologia “estados-limite”, que corresponde mais à perspectiva de André Green, um dos expoentes da psicanálise internacional, bem como, alguns autores brasileiros que se dedicam a esta temática, como Marta Rezende Cardoso e Luiz Cláudio Figueiredo. 
Nikos Gyftakis
De uma forma bastante geral, partindo de nossa experiência clínica, observamos o quanto alguns pacientes, que, encaminhados por psiquiatras ou que já passaram por hospitalizações manifestando uma angústia difusa e flutuante, traços de personalidade infantil, depressiva, masoquista ou narcísica, com tendências impulsivas que frequentemente levam à passagem ao ato, auto ou heteroagressões, condutas perversas e dificuldades consideráveis nas relações interpessoais, parecem transitar em diferentes momentos para uma determinada estrutura psíquica, não se fixando à nenhum “lugar”, ou seja, não se situam na neurose, na psicose e na perversão, embora possam manifestar um modo de funcionamento psíquico que se confunde com determinada estrutura.
Se fizermos uma analogia com os países ou estados de fronteira, é fácil perceber o quanto pode haver riscos, uma vez que na fronteira, os limites embora pareçam estar demarcados, a violência, os excessos parecem coexistir com maior visibilidade. Para aqueles que vivem na fronteira, há sempre o risco de se misturar com um estado ou outro, com um país ou outro, ofuscando assim, a própria identidade.  É curioso notar que os pacientes considerados mais graves, possuem “falhas” na capacidade para simbolizar, na capacidade para diferenciar o Eu do outro. À primeira vista, dependendo do percurso terapêutico ou de um momento particular de sua vida, o paciente “limítrofe”, pode se assemelhar muito à um psicótico ou à um perverso, mobilizando grandemente à contratransferência do analista ou do terapeuta. É importante ressaltar que a própria conceituação do que seja um paciente considerado “grave, difícil” encontra-se profundamente implicada na relação terapêutica, não ocorrendo unicamente nos pacientes “limítrofes.” 
O tema dos casos ou “estados-limite” tem ocupado um lugar de destaque nos debates na contemporaneidade, como ressalta Cardoso (2004), sobretudo no sentido de poder pensar o estatuto das “novas” psicopatologias, bem como, pensar a especificidade do trabalho clínico nos casos onde há uma certa evidência daquilo que estaria além do representável, trabalhar com questões que parecem imprimir uma violência radical, situada fora dos limites de um traumático constitutivo.
Cabe ressaltar que há uma diversidade de modelos e concepções teóricas na abordagem dos estados-limite, que podem ser ordenadas em torno de três eixos: problemática dos limites, problemática da perda do objeto e a problemática edipiana e masoquista conforme apontado por Brusset apud Chagnon (2009).
Saatchi
De uma forma bastante geral, não pretendendo se alongar nestas discussões, elencamos apresentar aqui a primeira problemática dos limites. Nesta problemática, percebe-se a fragilidade ou ainda a fluidez dos limites entre o mundo interno e o mundo externo, fragilidade esta que é fonte de desorganização ou desmoronamento, tornando necessária a implementação de mecanismos de defesa, para assim, fazer algumas trocas entre o interior e o exterior, o sujeito e o objeto. A configuração desse transtorno dos limites se refere ao que Brusset (1999) denomina de patologia da interioridade e um funcionamento psíquico exteriorizado. Com base neste autor, podemos perceber o quanto os sintomas relacionados ao vazio interno crônico, a falta de interioridade e de investimento da atividade psíquica própria explicariam a grande dificuldade destes pacientes em “entrar em contato consigo mesmos”, a dependência do objeto e o desejo de viver a vida do outro.
Os estados-limite mobilizam uma clínica que repense suas possibilidades, bem como seus limites teóricos e técnicos à todo o momento, constituindo-se em um grande aprendizado àqueles que se aventuram por terrenos desconhecidos. Trabalhar na fronteira, implica em riscos e uma grande oportunidade para conhecer outras “línguas”, bem como um intercâmbio rico, caso nossa contratransferência funcione mais no sentido de contribuir para o tratamento e não atrapalhar demasiadamente.

* Rogério Thaddeu é psicoterapeuta, especialista em saúde mental e mestrando em psicologia pela U.E.M. Professor do Depto. de Psicologia da Fafijan. Professor de psicanálise e psicopatologia do Instituto Rhema de Pós-graduação. Autor de No limite das emoções: uma análise sobre as psicopatologias na atualidade.

Para saber mais:
CARDOSO, Marta Rezende Cardoso (Org) Limites. São Paulo: Escuta, 2004
CHAGNOM, J Y. Os estados-limite nos trabalhos psicanalíticos franceses. São Paulo: Revista Psicologia USP. Vol 2 no 2 Abril/Junho, 2009. 
THADDEU, R. No limite das emoções: uma análise sobre as psicopatologias na atualidade. Londrina: Amplexo, 2010.

22 de jan. de 2013

SOBRE AS RELAÇÕES NA ATUALIDADE


Rosane Uchikawa

     Desde a fase mais tenra de nossa constituição como seres humanos, nossa subjetividade é construída através da relação com o outro. A mãe que alimenta é o objeto do desejo, sendo ela que traz o gozo através da satisfação de suas necessidades primárias. Afeto e alimento se unem e a subjetividade passa a ser instaurada, dando forma ao modelo de relação objetal que o bebê levará para sua vida adiante.  
"Mãe e Filho" Picasso (1938) 
      As falhas de continência que ocorrem no processo primário de subjetivação são causadoras de lacunas, que são preenchidas por fantasias infantis, de um ego muito incipiente, e que eclodirão em sofrimentos psíquicos e influenciarão diretamente em nossa maneira de nos relacionar, principalmente no que diz respeito as nossas relações afetivas. 
       Se por um lado, a construção de nossa subjetividade inicia-se na relação mãe-bebê, por outro, ela também vai recebendo contribuições determinantes do meio ambiente em que estamos inseridos. Como “colcha de retalhos”, vamos recebendo informações e estímulos, sendo influenciados e diretamente afetados através desta dinâmica de vinculações.    
       Mudam-se as épocas e, por conseqüência, nossa modalidade de relação também não é a mesma. A mídia e a sociedade em geral, se encarregam de ditar “regras”, influenciando nossa forma de pensar (ou de não pensar!), montando um “palco perfeito” para nossas atuações. O mundo nos oferece um leque imenso de objetos apresentados como ideais, com a promessa de tamponar qualquer vazio existencial com toda eficácia. O que impera é o mandamento do gozar, a gratificação está no consumo imediato e descartável.
Grazi Ruas
     A “falta” que buscamos preencher tem origem em processos psíquicos ligados a lembranças e frustrações primitivas. Se pensarmos nas relações afetivas, buscamos no outro, a solução para esse vazio,  muitas vezes,  contaminados pelos ditos populares de que existe  “uma tampa para cada panela” ou “a outra metade da laranja”, o que é campo fértil para projeções e idealizações, pois na realidade, o que esperamos encontrar  no outro, é um espelho de nós mesmos.   
       Ao mesmo tempo em que somos contaminados com a cultura do descartável, cada vez com mais rapidez, também vamos, num processo inconsciente, atuando na busca de um “outro eu” alguém que seja tão “perfeito quanto”, que supra todas “minhas necessidades”, enfim, o “meu reflexo no lago!”. 
       É nessa ciranda, que as relações vão ficando cada vez mais voláteis, pois, o diferente é refugado, quase que automaticamente trocado por outro. E, se pensarmos que, é justamente o diferente que nos faz pensar sobre nossa condição e nosso modo de existir no mundo, fica a questão: Será que estaríamos vivenciando, na atualidade, uma dinâmica perversa de empobrecimento das relações não só afetivas, mas humanas num todo?
      Todas essas influências em nosso processo de subjetivação nos fazem supor, a necessidade de um maior entendimento desses novos arranjos relacionais que se apresentam. Precisamos então, enquanto profissionais psi, refletir sobre as contribuições que a psicanálise pode trazer para essas novas formas de organização, emolduradas pelo mundo pós-moderno.  

*Rosane Uchikawa é psicóloga (CRP: 08/15427)




9 de jul. de 2012

REDESCOBRINDO A HISTERIA


Diogo Assunção Valim*
Neste artigo faço um breve resumo de meu Trabalho de Conclusão de Curso de minha pós-graduação em Psicanálise, nele busco revisitar a construção teórica de Freud sobre a histeria.
O momento atual nunca foi tão propicio para a discussão a cerca da histeria. Os Manuais psiquiátricos amplamente utilizados na atualidade como a Classificação Internacional de Doenças, CID – 10 e a DSM IV, retiraram o termo histeria de circulação, substituindo-o por uma terminologia diversificada que se refere a diversos transtornos independentes. Se isto é uma resposta à pressão de laboratórios farmacêuticos poderosos ou se trata de uma sincera crença de que a histeria já não mais existe, não convém abordar aqui. Mas o fato é que nada disso impede a histeria de continuar existindo, acompanhando as nuances de nossa época, revestindo-se de novas roupagens, mas tendo sua estrutura exatamente a mesma da histeria do século passado.(MAURANO, 2010)
      Famosa por ser capaz de manipular o corpo com muita maestria a histeria intrigava a medicina do século XIX, por mais exames que eram feitos em indivíduos histéricos, nada achava-se para explicar seus sintomas físicos que, em sua maioria, consistiam de paralisias em membros específicos ou até mesmo alucinações e amnésias.
    Freud e Breuer, partindo de idéias propostas por Charcot, romperam com a forma tradicional de medicina da época ao propor um tratamento psíquico ao em vez de físico à histeria, com base nisso nasceu o método catártico de Breuer, este método consistia em evocar lembranças relacionadas a etiologia dos sintomas físicos através da hipnose, desta forma ele era capaz de combater os sintomas mais aparentes e superficiais da histeria.
       Freud prosseguiu estudando a patologia e adaptando seu método de acordo com o que descobria, assim, inclusive, nasce a psicanálise. 
        Mas afinal de contas o que exatamente é a histeria? 
                                               “Eu tomaria por histérica, sem hesitação, qualquer pessoa em quem uma 
                                               oportunidade de excitação sexual despertasse sentimentos predominantemente 
                                               ou exclusivamente desprazerosos fosse ela ou não capaz de produzir sintomas
                                               somáticos.” (FREUD, 1905, pag. 37)
     Por mais que sintomas somáticos sejam uma característica forte na histeria, não são essenciais, portanto enganam-se aqueles que pensam que a histeria não mais vigora na atualidade, sem duvida ela já não tem a mesma aparência que tinha no sec XIX, mas é importante ter em mente que esta é uma patologia que afeta a estrutura da personalidade e, em essência, a vida sexual do individuo, antes de afetar seu corpo.
     Dentre os muitos artigos sobre o assunto, teremos aqui, em função do nosso espaço limitado, de resumir a compreensão da histeria em Freud em alguns pontos principais:
                                              “Desde então tenho visto inúmeros casos de histeria, ocupando-me de cada
                                               um por vários dias, semanas ou anos, e em nenhum deles deixei de descobrir
                                               as condições psíquicas postuladas nos Estudos sobre a histeria, ou seja, o
                                               trauma psíquico, o conflito dos afetos e, como acrescentei em publicações
                                               posteriores, a comoção na esfera sexual.” (FREUD, 1905, pag. 34,
                                               grifos meus).
       A histeria então tem sua fundação em um trauma, entende-se trauma como situação ou experiência que evoque demasiadas excitações além da capacidade psíquica do individuo de processar (FENICHEL, 2005). Este trauma é causado por situações que despertam desejos, fantasias ou idéias sexuais em idade onde o individuo não esta pronto para lidar com tais excitações. 
        Como bem sabemos através da psicanálise, existe uma sexualidade na infância que esta diretamente ligada as figuras parentais (complexo de Édipo), sendo assim existe também um desejo em direção a estas figuras. A criança que passa pelo complexo aprende que seus pais estão unidos sexualmente entre si e ela esta de fora desta intima relação, aprende também que seria imoral o inverso dessa situação, o que há força a recalcar seu desejo sensual e a declinar de suas figuras parentais como objetos do desejo erótico. Funda-se o herdeiro do complexo edípico: o superego.
        Este desejo em direção as figuras parentais é normal em toda criança, mas quando ela é colocada em situações onde sua sexualidade infantil é excitada excessivamente, seja pelas fantasias da própria criança quanto pelas situações de abuso sexual (comoção na esfera sexual), a mente é inundada por estímulos que não apenas são difíceis de se processar, mas condenáveis pelo próprio superego do individuo. 
       Convivendo com um desejo e com a proibição do mesmo, a única saída encontrada pelos processos psíquicos é acionar um forte recalcamento para livrar a consciência dos efeitos acusatórios do superego (conflito dos afetos). Desta forma todo o conteúdo das fantasias infantis que uma vez foram utilizadas pela criança para seu prazer, são expulsas da consciência. Cada item que fora ligado a estas fantasias sexuais direcionadas aos pais tem de procurar novos meios de expressão: é o caso do afeto, que procura expressão no corpo e assim causa os sintomas conversivos.
      A partir de sua fundação a estrutura da histeria forma-se como uma defesa em torno do desejo sexual e da imensa carga emotiva que isto desperta, principalmente da culpa, impedida de seguir seu curso normal a pulsão sexual do histérico acaba sendo expressa por outras vias além da do sintoma.
     Com este estudo aprendemos que não se deve apoiar em sintomas superficiais para diagnosticar e tratar transtornos neuróticos, como o próprio Freud coloca em “A psicoterapia da histeria” de 1893, o sintoma histérico puro é complicado de se extrair e pode-se confundir com uma serie de outras patologias, ou até aparecer de forma discreta e passar despercebido. O critério de análise do psicólogo deve sempre ser baseado na estrutura da personalidade, proveniente da resolução edípica.

*Diogo Assunção Valim é psicólogo.
PARA SABER MAIS:
MAURANO, Denise. A histeria: ontem, hoje e sempre. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.
FREUD, Sigmund. Um caso de Histeria, Tres ensaios sobre a sexualidade e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago, 1996.